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Encontro com o Chapeleiro

 
 

Encontro com o Chapeleiro

Divulgação

A personagem Alice, ilustrada por Cris Eich

Amanhã (sexta, dia 21), você tem um encontro marcado com o Chapeleiro Maluco (ou Louco). Não é exatamente às 5 da tarde, a hora do chá. Mas ó personagem criado por Lewis Carroll estará na Livraria Cultura, das 18h30 às 21h30, aprontando poucas e boas. Ele estará lá no lançamento de “Alice no País das Maravilhas” (editora DCL), recontado por Silvana Salerno e ilustrada por Cris Eich. Ah: elas convidam as crianças para usarem fantasias também! No bate-papo abaixo, Silvana conta um pouco sobre a obra criada por Carroll e explica os caminhos de sua adaptação.

Por que até hoje Alice atrai tanto crianças e adultos?
Porque é um livro altamente criativo e livre, que se passa num país onde tudo é possível. Animais, plantas e pessoas interagem no mundo maravilhoso da imaginação, onde não faltam elementos da realidade apresentados de forma crítica  como uma rainha despótica e “sem cabeça” que, sempre que contrariada, ordena aos guardas que cortem a cabeça de quem passa na frente dela. Carroll criou um mundo pelo olhar infantil (com a criatividade e a liberdade próprias das crianças), para ressaltar os aspectos absurdos e sem sentido do comportamento dos adultos. E é isso que encanta crianças e adultos do mundo todo há mais de cem anos.

Qual seu personagem preferido? Por quê?
Meu personagem preferido é o Chapeleiro Louco porque adoro chapéus  e a profissão dele é fazer chapéus. Além disso, ele é um grande gozador. Aliás, quem não é, no País das Maravilhas? Logo de cara, pergunta pra Alice qual é a semelhança entre um urubu e uma escrivaninha. Ela quebra a cabeça pra resolver a questão e não consegue; quando pergunta pra ele qual é a resposta, ele diz que não tem a menor ideia. Ele vive num mundo surrealista. Depois que ele brigou com o Tempo, o relógio dele marca sempre 5 horas da tarde  a hora do chá.

São tantas as versões e adaptações de Alice... Como você definiria a sua?
Minha versão de Alice é para a meninada. Procurei manter a graça do original, sem traduzir os versos de Carroll. É um texto direto, leve e fluente. No final do livro, conto quem foi Lewis Carroll, como ele escreveu o livro e comento a obra que o deixou famoso. Há muitos símbolos em “Alice no País das Maravilhas” e eu apresento algumas interpretações para eles.

Poderia falar um pouco sobre esses símbolos?
Um deles é a passagem do tempo, presente em vários momentos do livro, como na queda da menina no poço que leva ao País das Maravilhas, no relógio da Lebre Maluca que só marca os dias, no relógio do Chapeleiro Louco que está parado nas 5 horas. Outro símbolo muito forte são as mudanças pelas quais Alice passa: ora está grandona, ora pequenininha. Essas mudanças podem representar os altos e baixos típicos da adolescência, as mudanças bruscas que acontecem nessa fase da vida. Alice muda tantas vezes de tamanho que chega uma hora em que ela não sabe mais quem é  as transformações rápidas e a “perda de identidade” são características próprias da adolescência.

LANÇAMENTO
“Alice no País das Maravilhas”

Quando: sexta, dia 22/5, das 18h30 às 21h30
Onde: Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073; tel. 0/xx/11/3170-4059)

Escrito por Gabriela Romeu às 21h41

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Mais que lagartos gigantes

A escritora inglesa Cressida Cowell conta que sempre foi apaixonada por dragões quando era criança e adorava ler livros em que essas criaturas apareciam. Mas não entendia uma coisa: por que eles sempre tinha o mesmo jeitão (eram enormes lagartos verdes alados)?

A imaginação da autora foi bem além dessa imagem desses lagartos gigantescos. Já adulta, ela criou uma série em que um garoto de 11 anos tem um dragão como bicho de estimação. Sucesso entre as crianças na Inglaterra, a história de Soluço e Banguela foi parar no cinema, na animação “Como Treinar o Seu Dragão”, que estreia hoje nos cinemas brasileiros.

Depois do lançamento do primeiro livro, “Como Treinar o Seu Dragão”, a autora já escreveu outros sete. E está trabalhando no nono volume no momento. O primeiro livro da série acaba de ser lançado no Brasil, pela editora Intrínseca (confira abaixo).

Leia a seguir entrevista que Cressida deu para a Folhinha, por e-mail.

COMO TREINAR O SEU DRAGÃO
Tradução de Heloisa Prieto
224 páginas
R$ 19,90

Bate-papo

Qual foi sua inspiração para criar Soluço e os outros garotos?
Queria escrever uma história de um garoto que estivesse achando difícil se encaixar no grupo e se parecer com seu pai. Soluço [Hiccup, em inglês] tem onze anos no começo do livro. Essa é uma idade quando um menino começa a deixar a infância e entrar na adolescência. Nessa fase, as crianças começam a pensar em que tipo de adultos vão se transformar. É comum as crianças acharem que têm que ser iguais a seus pais e demoram a perceber que podem ser elas mesmas.

O pai de Soluço é chefe da tribo dos Hooligans Cabeludos. Todos esperam que Soluço herde a liderança do pai quando este morrer. Há uma pressão extra no fato de Soluço não ser o garoto violento e briguento que os vikings tanto admiram. Os outros garotos menosprezam Soluço por achar que ele é fraco. Mas, na verdade, ele é o contrário disso: é muito forte por aguentar a pressão de não se encaixar no tipo de viking que seus amigos e seu pai esperam que ele seja.

Fui inspirada a criar esses personagens e a escrever essa história porque essas são pressões comuns que as crianças encaram no dia a dia. Exagerei a situação do Soluço e o transportei para o tempo fantástico dos vikings, mas os problemas são os mesmos. Recebo muitas cartas de crianças dizendo o quanto se identificam com Soluço.

Pode nos contar mais sobre o dragão Banguela?
Sempre amei dragões. Para os vikings, eles são criaturas mágicas que têm a habilidade de viver nos quatro elementos (água, ar, terra e fogo). A premissa dos meus livros eram: e se os dragões existissem? E a questão que toda a série está respondendo é: se dragões realmente existiram, o que aconteceram com eles? Onde estão agora?

Gostava de dragões na infância?
Ainda que eu tenha amado os livros com dragões quando era criança, sempre quis saber por que eles sempre tinham a mesma aparência: um grande lagarto verde com asas. E eu me diverti muito criando várias espécies [de dragões]. Misturei as características de diversas criaturas para criar um novo animal fantástico. Por exemplo, no meu último livro, “How to Break a Dragon’s Heart” (como quebrar o coração de um dragão, em inglês), há um tipo de dragão que foi uma mistura de tubarão e raia gigante. Há dragões camaleões, dragões com chifres na ponta do nariz e dragões menores do que a unha do dedo. Quando eu estava inventando essas criaturas todas, imaginei: como seria incrível se você pudesse ter um dragão como um animal de estimação? Seria o melhor pet do mundo! Foi aí que criei o personagem Banguela.

Qual é o seu dragão preferido?
O meu preferido é o Banguela, mas tenho um carinho especial por Stormfly, que aparece pela primeira vez no sexto livro [da série]. É um dragão muito bonito, uma espécie de camaleão que muda de cor conforme seu humor.

Por que as crianças são tão fascinadas por essas criaturas?
Acho que as crianças amam tanto dragões e dinossauros por várias razões. Uma deve ser porque adoram a sensação de sentirem medo, e dragões e dinossauros são tão incrivelmente grandes e magnificamente adornados com presas e dentes. Então você tem a sensação do medo, mas o conforto de também saber que eles estão completamente extintos.

O que achou do filme?
O filme é absolutamente fantástico. Eu gostei muito, muito. É espetacular e excitante, mas é também muito emocionante e tocante. A cena do voo do dragão no filme é gloriosa, uma das melhores cenas de voo que já vi na vida. Você realmente sente como se estivesse voando com o dragão.

Entendo as razões por que eles fizeram alterações como o tamanho do dragão Banguela. Se você está fazendo um filme sobre dragões em 3D, ficaria meio desapontado se o herói não pudesse montar no dragão e voar com ele.

[No livro, Banguela é menor do que aparece no filme.]

Escrito por Gabriela Romeu às 18h12

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Todos os sons

 
 

Todos os sons

É um gostoso passeio sonoro o livro/CD “Quantas Músicas Tem a Música? Ou Algo Estranho no Museu” (ed. Peirópolis; R$ 38), que é lançado hoje, às 16h, no Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, tel. 0/xx/11/3095-9400; na sala de leitura, no 2º andar).

O lançamento conta a história de um museu onde instrumentos de vários lugares do mundo viviam quietinhos, até serem despertados e ensinarem canções de países como Guatemala, Portugal, Itália, Israel, China...

Dezenas de meninos e meninas, com idades entre três e 13 anos, embarcaram nessa viagem cheia de sons com instrumentos de nomes esquisitos (ocarina, zarb, djembê...). E quem liderou a aventura foi a educadora musical Teca Alencar de Brito, professora do departamento de música da USP (Universidade de São Paulo).

Juntos, eles pesquisaram canções tradicionais como “Ó, Rosa Arredonda a Saia”, de Portugal, e “Ayele”, de Gana (ouça abaixo). Músicos profissionais também cantaram e tocaram com essa turma.

E também improvisaram bastante em várias músicas, como nas divertidas “O Macarrão Musical” e  “O Chinês Poliglota” (ouça abaixo).

Teca abriu as portas de seu museu musical para a Folhinha. Conheça no vídeo abaixo mais sobre alguns dos instrumentos usados no CD.

Escrito por Gabriela Romeu às 18h09

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Histórias dos personagens esquecidos

 
 Foto: Divulgação

Todo mundo conhece Alice, aquela menina que foi cair no País das Maravilhas depois de seguir um coelho. Ou Cinderela, que perde o sapato em um baile. Mas ninguém fala sobre as duas irmãs de Cinderela ou sobre os personagens que Alice conhece no País das Maravilhas. É a história deles que você descobre no livro "Que história é essa? - 3", de Flávio de Souza (Cia. das Letrinhas; R$ 35). Se você não leu o livro, não se preocupe.

Neste sábado, dia 28, a contadora de histórias Tecka Mattoso vai mostrar esse e outros contos do livro, no espaço infantil da Livraria Saraiva, no Shopping Center Norte, em São Paulo. A contação tem trilha sonora e é bastante interativa. O grupo de crianças que estiver lá vai brincar do mesmo jeito que os personagens fazem no livro!

Contação Brincante Entre Livros
Quando: sábado, às 17h30
Onde: Livraria Saraiva, Shopping Center Norte (travessa Casalbuono, 120, Vila Guilherme, tel. 0/xx/11/2224-5959)
Preço: gratuito

E por falar em "Alice no País das Maravilhas", você já viu o trailer do novo filme que contará essa história?
Ele é narrado pelo Chapeleiro Maluco e estreia nos cinemas no dia 4 de março de 2010. Confira:

 

Escrito por Camilla Costa às 20h10

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Oriental com toque caipira

 


Na 13ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (que aconteceu no final de outubro), vários autores conversaram com as crianças nas quatro tendas de circo do evento. Apesar do calor e do burburinho, o papo foi animado.

Num dos dias estava a artista plástica Lúcia Hiratsuka, que é ilustradora, escritora e tradutora. Entre seus livros, estão "Contos da Montanha" (Edições SM) e "Festa no Céu, Festa no Mar" (DCL)

Neta de japoneses, Lúcia teve uma infância cheia de histórias e brincadeiras vindas lá do Oriente. E, como cresceu na roça em Duartina (interior de SP), ela diz que tem uma boa mistura das culturas oriental e caipira.

Os avós contavam muitas lendas e mitos japoneses. Assim, ela ouviu por exemplo muitas histórias com e sobre raposas, animal que gera fascínio e medo ao mesmo tempo. Lúcia explica que ela é a mensageira da divindade dos cereais.

Então, no interior do Japão, é comum encontrar uma raposa de pedra com uma oferenda.

Ouça no áudio abaixo o que ela conta sobre como sua infância influenciou no que ela escreve e desenha hoje.

Um dos últimos lançamentos dela é a tradução de um autor japonês bastante famoso na terra do sol nascente. Ela traduziu e ilustrou "O Violoncelista" (Edições SM), de Kenji Miyazawa (1896-1933). Ela conta que ele escreveu bastante, morreu jovem e só foi reconhecido bem depois. "Adoro esse autor. Além de ser escritor e poeta, foi astrônomo, cientista e professor." Diz que ele foi um professor diferente: saia com os alunos para olhar as pedras, por exemplo.

"O Violoncelista" traz a história de Goshu, músico de uma orquestra de cinema mudo. Mas ele vive levando broncas do maestro porque não consegue controlar suas emoções. E são os animais que ensinam ao artista a alma da música.

Abaixo, saiba mais o que ela contou sobre a obra e o autor.

 

 

Escrito por Gabriela Romeu às 20h26

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Blog da Folhinha O blog da Folhinha é um espaço virtual para interação das crianças com o suplemento impresso publicado pela Folha de S.Paulo aos sábados. É produzido pela editora, Patrícia Trudes da Veiga, pela editora-assistente, Gabriela Romeu, além de outros colaboradores.
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